O custo de estoque costuma aparecer cedo nas planilhas, mas tarde nas decisões estratégicas. Ele cresce silencioso, ocupa espaço físico, consome caixa e, quando ignorado, pode prejudicar a contabilidade.
Muitas empresas acreditam que o estoque parado é apenas mercadoria aguardando venda. Na prática, ele é capital imobilizado e custo recorrente. Entender isso muda o jogo, pois permite administrar melhor seus produtos e melhorar a margem de lucro.
Gerir estoque é, portanto, cuidar do fluxo de caixa, da margem e da saúde financeira como um todo. E quanto antes essa lógica entra no radar, melhor.
O que é custo de estoque e por que ele é importante?
Custo de estoque representa todo o gasto envolvido em manter produtos armazenados até o momento da venda. Ele começa antes mesmo da mercadoria chegar ao depósito e continua enquanto ela permanece ali, dia após dia.
O primeiro impacto aparece no fluxo de caixa. Cada item estocado exige dinheiro à vista ou parcelado. Esse valor sai do caixa e fica parado.
Quanto maior o estoque, menor a liquidez. Então, quanto maior o estoque, maior a pressão financeira.
Em seguida, surge o efeito sobre a margem de lucro. Custos de armazenagem, seguros, perdas e obsolescência entram no cálculo do produto, mesmo que de forma indireta. Quando esses custos não aparecem claramente, a margem parece saudável. No resultado final, ela encolhe.
A precificação também sofre. Preços baseados apenas no custo de compra ignoram o custo de manter o produto parado. Isso gera distorções. O preço até atrai o cliente, mas o lucro real não aparece. A empresa vende bem e ganha pouco. Às vezes, perde dinheiro sem perceber.
Por fim, há a saúde financeira. Estoque excessivo aumenta risco operacional e reduz capacidade de investimento. Uma empresa com estoque desorganizado costuma reagir tarde às mudanças. E isso cobra um preço alto.
Quais são os principais tipos de custo de estoque?
Para enxergar o impacto completo, é preciso separar os custos por tipo. Cada um atua de forma diferente no resultado.
Custo de pedido
Custo de pedido envolve despesas ligadas à compra do produto. Aqui entram processos de cotação, emissão de pedidos, transporte, impostos e recebimento. Pedidos frequentes elevam esse custo. Pedidos grandes demais criam outro problema, como veremos adiante.
Custo de armazenagem
Custo de armazenagem está ligado ao espaço físico. Aluguel, energia, equipamentos, sistemas, limpeza e segurança fazem parte dessa conta. Quanto maior o volume estocado, maior o gasto fixo mensal.
Custo de ruptura
Custo de ruptura aparece quando o produto falta. Parece contraditório, mas estoque baixo demais também gera custo. Vendas perdidas, clientes insatisfeitos e quebra de confiança entram nessa conta invisível.
Custo de excesso
Custo de excesso surge quando há produto demais. O capital fica imobilizado, o giro cai e o risco aumenta. Promoções forçadas costumam ser o sintoma mais visível desse erro.
Separar esses custos ajuda a entender onde o dinheiro escorre. E ele sempre escorre em algum ponto.
Como calcular o custo de estoque na prática?
Calcular custo de estoque não exige fórmulas complexas. Vejamos.
O primeiro passo é o Custo Total de Estoque (CTE).
CTE = Custo de Pedido + Custo de Armazenagem + Custo de Manutenção + Custos de Perdas (excesso, ruptura e obsolescência)
Essa visão global mostra quanto o estoque realmente custa por período. Sem isso, qualquer decisão vira palpite.
Depois, vale calcular o Custo de Armazenagem isoladamente:
Custo de Armazenagem = Custos Fixos do Armazém ÷ Quantidade Média Estocada
Esse indicador ajuda a entender se o espaço está subutilizado ou sobrecarregado.
Outro cálculo essencial é o Giro de Estoque:
Giro de Estoque = Custo das Mercadorias Vendidas ÷ Estoque Médio
Quanto maior o giro, melhor o uso do capital. Giro baixo indica produto parado. E produto parado custa caro, mesmo quando parece inofensivo.
Na prática, empresas saudáveis acompanham esses números mensalmente.
Como diminuir perdas e obsolescência no estoque?
Reduzir perdas começa com previsibilidade. Não perfeita, mas razoável. Analisar histórico de vendas, sazonalidade e comportamento do consumidor já resolve boa parte do problema.
Outro ponto é a política de compras. Lotes menores, revisões frequentes e negociações mais flexíveis reduzem risco. Às vezes, pagar um pouco mais por unidade sai mais barato no final.
A organização física também pesa. Controle de validade, rotação adequada e visibilidade do estoque evitam esquecimentos caros. Produto que ninguém vê costuma vencer.
Por fim, decisões rápidas. Estoque parado pede ação. Promoção estratégica, kits ou canais alternativos costumam custar menos do que manter o produto encalhado.
Exemplos no setor alimentício
Imagine um restaurante de médio porte que trabalha com carnes, hortaliças e laticínios.
Se o gestor compra grandes volumes de carne para “ganhar desconto”, ele reduz o custo de pedido, mas eleva outros custos. A carne ocupa mais espaço na câmara fria, consome energia, exige controle rigoroso e aumenta o risco de perda por vencimento.
Aqui surgem custos de armazenagem, manutenção e obsolescência.
Além disso, se o cardápio muda ou a demanda cai em dias de semana, parte desse estoque perde valor. O desconto inicial desaparece. No final do mês, o caixa sente.
Nesse cenário, compras mais frequentes, com volumes ajustados ao histórico de vendas por dia da semana, costumam reduzir o custo total de estoque, mesmo com um preço unitário maior.
Gostou deste conteúdo? Conheça nossa planilha de controle de estoque e saiba como otimizar sua operação!
