O que é Lucro Presumido? Como funciona? Vale a pena? Todas essas dúvidas podem surgir quando o negócio começa a crescer e a escolha do regime tributário passa a pesar mais no caixa.
Nesse momento, entender como os impostos são calculados se torna uma decisão estratégica para a saúde financeira da empresa.
Atualmente, os principais regimes tributários no Brasil são o Simples Nacional, o Lucro Real e o Lucro Presumido.
O X da questão é que fazer uma escolha equivocada pode comprometer o fluxo de caixa, reduzir a margem de lucro e dificultar o crescimento do negócio.
Isso acontece porque os tributos fazem parte dos custos fixos de qualquer empresa e precisam ser considerados com atenção no planejamento financeiro.
Por isso, preparamos esse conteúdo para explicar o que é Lucro Presumido, como esse regime funciona na prática, quais são suas vantagens e desvantagens e em que situações ele pode (ou não) ser a melhor escolha para o seu negócio.
Continue a leitura!
O que é Lucro Presumido?
O Lucro Presumido é um regime tributário que visa simplificar o cálculo dos impostos, em particular do IRPJ (Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
Seu nome se dá porque, nele, a Receita Federal presume o lucro da empresa com base na atividade exercida. Assim, é encontrado um valor médio para as alíquotas.Junto com o Simples Nacional, o Lucro Presumido é preferência na gestão de restaurantes, bares, lanchonetes e outros estabelecimentos alimentícios.
Quem pode optar pelo Lucro Presumido?
Podem optar pelo Lucro Presumido as empresas com faturamento anual de até R$ 78 milhões, desde que não sejam obrigadas por lei a adotar o Lucro Real nem atuem em atividades específicas que exigem outro regime tributário.
Esse é o caso de muitas empresas que já cresceram além do Simples Nacional e precisam de um regime que permita planejar melhor os custos tributários sem entrar, ainda, na complexidade do Lucro Real.
De forma geral, podem optar pelo Lucro Presumido:
- Empresas com receita bruta anual de até R$ 78 milhões (ou valor proporcional, se a empresa tiver menos de 12 meses de atividade);
- Negócios que não sejam obrigados ao Lucro Real, como ocorre com instituições financeiras;
- Atividades comuns nesse regime, como:
- comércio em geral;
- indústrias de pequeno e médio porte;
- construção civil;
- prestadores de serviços;
- profissionais liberais, como médicos e advogados;
- serviços hospitalares;
- transporte de cargas.
Leia mais: Qual a diferença entre lucro presumido e lucro real? Descubra!↗
Como funciona o cálculo dos impostos no Lucro Presumido?
No Lucro Presumido, os impostos são calculados a partir de uma margem de lucro definida pela legislação, que varia conforme a atividade da empresa.
Em vez de considerar o lucro real, a Receita Federal presume um percentual de lucro sobre o faturamento e aplica os tributos sobre esse valor.
Existe uma tabela com percentuais de presunção por ramo de atuação, que, na prática, variam de 8% a 32%. Esse percentual é aplicado sobre o faturamento trimestral da empresa para chegar ao chamado lucro presumido, que serve de base para o cálculo dos impostos.
A partir dessa base:
- o IRPJ tem alíquota de 15% sobre o lucro presumido, com adicional de 10% sobre a parcela que exceder R$ 60 mil por trimestre;
- a CSLL tem alíquota fixa de 9%, aplicada sobre o mesmo lucro presumido.
É importante destacar que, a partir de 2026, o corte de incentivos fiscais previsto na Lei Complementar nº 224/2025 eleva a base de cálculo efetiva do IRPJ e da CSLL, aumentando a carga tributária mesmo sem crescimento do faturamento.
Por isso, o acompanhamento contábil é ainda mais essencial nesse regime.
Exemplo de cálculo
Imagine uma empresa de serviços que faturou R$ 300 mil em um trimestre. Considerando o percentual de presunção de 32%, o lucro presumido será de R$ 96 mil. Sobre esse valor, aplica-se o IRPJ e a CSLL, respeitando o limite de R$ 60 mil para o adicional do imposto de renda.
Quais impostos são pagos no Lucro Presumido?
Os impostos pagos pelas empresas no Lucro Presumido são:
- IRPJ: Imposto de Renda Pessoa Jurídica;
- CSLL: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido;
- Cofins: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social;
- PIS: Programa de Integração Social;
- ISS: Imposto Sobre Serviços;
- ICMS: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços;
- CPP: Contribuição Previdenciária Patronal;
- IPI: Imposto sobre Produtos Industrializados.
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Quais as diferenças entre Lucro Presumido, Simples Nacional e Lucro Real?
As principais diferenças estão no faturamento, na complexidade do recolhimento de impostos e no intervalo de contribuição.
No Lucro Presumido, o faturamento anual deve ser inferior a R$ 78 milhões, e o percentual de presunção é fixado em 8% para comércio e indústria e 32% para a maioria dos serviços.
Já o Lucro Real é para negócios que faturam mais de R$ 78 milhões por ano. A complexidade dos cálculos é bem maior nesse caso, e o recolhimento do IRPJ e da CSLL é anual.
No caso do Simples Nacional, indicado para pequenas e micro empresas (o que inclui MEIs), o teto de faturamento é de R$ 4,8 milhões. Como sua alíquota varia conforme o faturamento, a depender da faixa, esse regime tributário deixa de ser vantajoso.
Aproveite e confira no vídeo com João Barcelos, expert iFood e especialista em delivery, quais são os tributos do MEI:
Quais as vantagens e desvantagens do Lucro Presumido?
Uma das principais vantagens do Lucro Presumido está nas alíquotas pré-fixadas, que simplificam os cálculos.
Além disso, outras contribuições, como PIS e COFINS, são mais baixas, e a documentação é menos extensa, já que o intervalo de recolhimento é trimestral (e não mensal, como no Simples Nacional).
Por outro lado, esse regime tende a ser superior ao auferido, fazendo a empresa pagar mais em impostos.
Outro detalhe é que não é possível deduzir as despesas operacionais da base de cálculo do IRPJ e CSLL, nem abater os créditos fiscais da base do PIS e do COFINS.
Simples Nacional ou Lucro Presumido: qual escolher?
A escolha entre Simples Nacional e Lucro Presumido depende do faturamento e do equilíbrio entre simplicidade, carga tributária e margem de lucro. Em muitos casos, o regime mais “fácil” não é, necessariamente, o mais econômico.
Para ajudar nessa decisão, vale comparar os dois modelos nos pontos que mais impactam o dia a dia do negócio:
| Ponto de comparação | Simples Nacional | Lucro Presumido |
| Limite de faturamento | Até R$ 4,8 milhões por ano | Até R$ 78 milhões por ano |
| Forma de tributação | Impostos unificados em uma única guia | Impostos calculados sobre lucro presumido |
| Complexidade | Menor burocracia | Exige mais controle contábil |
| Alíquotas | Variam conforme faturamento e atividade | Definidas por percentuais legais |
| Previsibilidade | Menor, pois a alíquota muda por faixa | Maior previsibilidade ao longo do ano |
Em geral, o Simples Nacional funciona bem para empresas menores ou em fase inicial, mas pode perder atratividade conforme o faturamento cresce e as alíquotas aumentam.
Enquanto isso, o Lucro Presumido tende a ser uma alternativa mais interessante para negócios que já ultrapassaram o teto do Simples ou que operam com margens de lucro mais confortáveis.
Na prática, a melhor escolha é aquela que considera não só quanto a empresa fatura, mas quanto ela efetivamente paga de imposto e quanto sobra no caixa ao final do período.
Como saber qual regime tributário é o mais adequado para o meu negócio?
Uma boa organização das finanças do seu estabelecimento é essencial para entender o faturamento e, assim, escolher o melhor regime tributário.
Então, sabendo o que é Lucro Presumido, se seu faturamento anual fica entre R$ 4 milhões e R$ 78 milhões, há boas chances de que esse seja o melhor regime para o seu negócio.
Nesse sentido, vale ressaltar que é importante contar com profissionais da contabilidade e da advocacia tributária para garantir a melhor escolha, bem como o pagamento correto dos impostos.
A escolha do regime tributário é um componente importante da gestão financeira e empresarial. Ainda que não tenha só vantagens, o Lucro Presumido é a melhor opção em muitos casos.
Então, considere as dicas deste post e avalie a situação financeira do seu estabelecimento com cautela.A postura estratégica é essencial nas finanças do seu negócio, mas deve ir muito além delas. Confira agora dicas certeiras para o planejamento estratégico do seu negócio↗